O “cult” e as “multi”: Convergências ,Culturas, Plataformas e Referências

Jenkins chama Matrix de “o filme cult emblemático da cultura da convergência” em contraponto á Casablanca, “o filme cult clássico”.

Tal distinção me intriga: qual a razão de não considerar um filme da década de 40 como parte integrante de um processo de cultura(“convergente”) que foi potencializado (mas de forma nenhuma gerado)  pela tecnologia atual: a narrativa “cult”, construída sob citações e com camadas variáveis de significado?

Qual a razão de não considerar Casablanca como convergente?

Aparentemente nenhuma.

Mesmo que Jenkins opte por  usar  o termo “convergência” para se referir, preferencialmente aos múltiplos meios de difusão de um universo narrativo em princípo comum, não se deve esquecer da “convergência” que qualquer narrativa que possa ser chamada de “cult” guarda em si: sua ligação com os “mitos fundadores” daquilo que poderia se chamar de “cultura fundamental compartilhada”(presnte em Homero, Carrol e nas narrativas arquétipo- mitológicas de modo geral), “convergência” essa que é análoga ao que ocorre com o “fato novo” das multiplataformas que se aglutinam em torno de um  mesmo universo ficcional.

A “convergência” inerente á qualquer obra “feita pra ser citada”,  como  Umberto Eco definiu o “cult”,  vive independentemente da tecnologia e da noção de “transbordamento de meios”,  e hoje é somada com elas,  não sua sobordinada.

Um exemplo Positivo de narrativa convergente e que durante tempo considerável foi   “monomídia” é a série de HQ”s Sandman, que se valendo da “tecnologia obsoleta”  do papel e estando construída sob o apoio de várias “matrizes culturais” (A mitologia grega, O cristianismo, A contracultura dos movimentos Hippie e Pós-Punk, etc.) estimula a busca por compreensão adicional (“unicórnios de origami”) por parte de leitores que podem ter tido contato com apenas uma dessas matrizes.

Se o objetivo da narrativa transmídia (ainda) é oferecer uma nova experiência ao fã de um universo ficcional fortemente ligado com a comunicação de massa, os universos paralelos de super -heróis já buscavam isso( ainda que se possa questionar seu sucesso)pelo menos desde a década de 70, vide Star Wars.

Pergunta:  A experiência completa de narrativas para navegação transmídia chegará ao grande público?

Resposta: Não sei se é isso que se espera, mas se for, será, a médio prazo decepcionante, numa realidade econômica periférica como a Brasileira onde o suporte para experiência do “cult” na multiplataforma pertencem a um número restrito de consumidores, é pouco provável que a transmídia se torne, daqui a pouco, algo além de um produto “para nichos”.

Ass: Rafael Antunes.

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