Matrix – A sala branca

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Dawson’s Desktop

Inspirado na iniciativa dos diretores de “A Bruxa de Blair”, foi criado, também em 1998, Dawson’s Desktop, um site para promover a série televisiva Dawson’s Creek.

O site tinha o formato do desktop do personagem principal e os fans(visitantes) poderiam ver todos os  arquivos que o jovem recebia, poderiam ver e-mails, trabalhos do curso, remexer a lixeira, etc.

A intenção era aproximar os espectadores da série e instigá-los a continuar assistindo aos episódios, já que um ou dois dias antes era posto, no site, pistas do que poderia acontecer no episódio seguinte.

OBSERVAÇÃO: No auge, o site atraia 25 milhões de pesoas por semana. Isto em 1998.

Bruxa de Blair

Um ano antes do lançamento do filme de 1999, foi criado um site que ligava a bruxa de Burkittsville ao desaparecimento de estudantes(atores do filme).

Este site foi batizado pela equipe do filme como “primeira diretriz’.

A idéia dos produtores era criar uma lenda falsacom vários mistérios e pontos de vista. Todavia o site deveria parecer muito real e sua intenção era “fazer justiça, encerrar o caso ou promover uma investigação do mistério” “pelas pessoas interessadas no assunto” (segundo Eduardo Sanches, um dos diretores do filme).

Assim, quando o filme estreiou nos cinemas, fez um enorme sucesso e arrecadou muito dinheiro, para um filme de baixo orçamento.

Além do site, foi apresentado, no canal Sci Fi Channel, um falso documentário que investigava a bruxa.

E depois do filme, foram publicados quadrinhos sobre relatos de pessoas que viram a bruxa.

Conclui-se que  “A Bruxa de Blair” foi um dos primeiros filmes a fazer parte da narrativa transmídia.

O “cult” e as “multi”: Convergências ,Culturas, Plataformas e Referências

Jenkins chama Matrix de “o filme cult emblemático da cultura da convergência” em contraponto á Casablanca, “o filme cult clássico”.

Tal distinção me intriga: qual a razão de não considerar um filme da década de 40 como parte integrante de um processo de cultura(“convergente”) que foi potencializado (mas de forma nenhuma gerado)  pela tecnologia atual: a narrativa “cult”, construída sob citações e com camadas variáveis de significado?

Qual a razão de não considerar Casablanca como convergente?

Aparentemente nenhuma.

Mesmo que Jenkins opte por  usar  o termo “convergência” para se referir, preferencialmente aos múltiplos meios de difusão de um universo narrativo em princípo comum, não se deve esquecer da “convergência” que qualquer narrativa que possa ser chamada de “cult” guarda em si: sua ligação com os “mitos fundadores” daquilo que poderia se chamar de “cultura fundamental compartilhada”(presnte em Homero, Carrol e nas narrativas arquétipo- mitológicas de modo geral), “convergência” essa que é análoga ao que ocorre com o “fato novo” das multiplataformas que se aglutinam em torno de um  mesmo universo ficcional.

A “convergência” inerente á qualquer obra “feita pra ser citada”,  como  Umberto Eco definiu o “cult”,  vive independentemente da tecnologia e da noção de “transbordamento de meios”,  e hoje é somada com elas,  não sua sobordinada.

Um exemplo Positivo de narrativa convergente e que durante tempo considerável foi   “monomídia” é a série de HQ”s Sandman, que se valendo da “tecnologia obsoleta”  do papel e estando construída sob o apoio de várias “matrizes culturais” (A mitologia grega, O cristianismo, A contracultura dos movimentos Hippie e Pós-Punk, etc.) estimula a busca por compreensão adicional (“unicórnios de origami”) por parte de leitores que podem ter tido contato com apenas uma dessas matrizes.

Se o objetivo da narrativa transmídia (ainda) é oferecer uma nova experiência ao fã de um universo ficcional fortemente ligado com a comunicação de massa, os universos paralelos de super -heróis já buscavam isso( ainda que se possa questionar seu sucesso)pelo menos desde a década de 70, vide Star Wars.

Pergunta:  A experiência completa de narrativas para navegação transmídia chegará ao grande público?

Resposta: Não sei se é isso que se espera, mas se for, será, a médio prazo decepcionante, numa realidade econômica periférica como a Brasileira onde o suporte para experiência do “cult” na multiplataforma pertencem a um número restrito de consumidores, é pouco provável que a transmídia se torne, daqui a pouco, algo além de um produto “para nichos”.

Ass: Rafael Antunes.

Hibridismo

Trechos do capítulo “3 – Em busca do unicórnio de origami” do livro “Cultura da convergência” de Henry Jenkins.

“Podemos definir “The Animatrix”, “Mangaverso” e “Spider-Man – India” como hibridismo empresarial”.

“O hibridismo ocorre quando o espaço cultural – nesse caso, uma indústria nacional – absorve e transforma elementos de outro; uma obra híbrida, portanto, existe entre duas tradiçoes culturais, oferecendo m caminho que pode ser formado a partir deduas direções.”

“… “The Animatrix e Spider-Man: India podem ser considerados, como um exemplo de transcriação…”

Ou seja as obras ocidentais ( Matrix, Spider-Man, e os heróis da Marvel) adquiriram elementos culturais e pontos de vistas orientais.

Imagens das referências citadas:

Animatrix

Mangaverso

 

Spider-Man: India

Matrix: Lucro ou seguidores?

Qual o maior interesse dos diretores de Matrix ao se fazer um filme pertencente a narrativa transmídia?

Obter LUCRO ou FANS, seguidores fiéis que certamente acompanharam seus próximos filmes.

Trecho do capítulo “3 – Em busca do unicórnio de origami” do livro “Cultura da convergência” de Henry Jenkins.

“… “Matrix Reloaded” quebrou todos os recordes de bilheteria entre filmes adultos, obtendo espantosoUS$ 134

milhões de lucro nos primeiros quatro dias após o lançamento. O videogame vendeu mais de um milhão de cópias em

sua primeira semana no mercado. Antes mesmo de o filme ser lançado, 80% do público americano frequentador de

cinema indicava Matrix Reloaded como um título “imperdível””.